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sábado, 13 de abril de 2013

Respire fundo, suba em silencio e controle a saudade




Com ela, escrevi os melhores poemas, cantarolei as melhores canções, “vibeei” as melhores vibes. E hoje quando ia ver o por do sol no nosso lugar de paz, ao passar pela escada cujo fizemos o 'poeminha do mijo no degrau”, percebi que nenhum por do sol é são especial quando parte de você não esta por perto. Amigos à distância, é a mesma coisa que morrer dolorosamente em silencio.

Nada fará/faria eu, Pierrot, acostumado a te ter por perto, ter que aceitar toda essa distância insuportavelmente dolorosa. Volte oh Colombina para os braços que quem lhe tem tanto apreço e lhe quer tão bem. Reduza esse longo sofrimento de 2970km para alguns poucos centímetros. Fique perto o suficiente para eu pegar em sua mão e nunca mais soltar.

Do tradicional poeminha do mijo no degrau (“Respira fundo e sobe, sobe, sobe, degrau, mijo, sobe, mijo, degrau, mijo, sobe, sobe, mijo, mijo, mijo”) adaptado a saudade que sinto..

"Respira fundo e sobe,
Sobe, sobe, em silencio,
Degrau, mijo, saudade,
Sobe, mijo, degrau, passos solitários,
Mijo, saudade, sobe,
Mijo, mijo, saudade, mijo."



domingo, 11 de novembro de 2012

Breve analise de um coração calado





Você só precisa pedir.
Pedir que eu lhe traga bolinhos com chá no fim de tarde.
Pedir que eu carregue as sacolas quando voltarmos do supermercado.
Pedir que eu lave as louças e bote as crianças pra dormir as 20hs.
Pedir para que eu não grite em cada gol do Flamengo nas quartas à noite.

Você só precisa me olhar.
Me olhar de canto de olho, pra saber que algo esta errado.
Me olhar com olhos baixos, pra saber que estas triste.
Me olhar com ar de doçura, pra saber que estas segura.
Me olhar daquele jeito, pra saber que tudo que você não me falar é sobre amor.

Você só precisa estar ao meu lado.
Estar ao meu lado, para horas virarem segundos.
Estar ao meu lado, para segurar minha mão forte durante uma musica.
Estar ao meu lado, para me abraçar e dizer “Eu estou aqui, vai ficar tudo bem”.

Você só não precisa me pedir amor, pois todo meu amor é seu.
Você não precisa me olhar com medo, pois estará sempre segura no meu peito.
Você não precisa estar sempre ao meu lado, pois sei que mesmo distante tudo que sinto é recíproco!



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tons de cinza





"Eu amo você! 
Mesmo com vazios, com silêncios, com segredos, com afagos tímidos
Mas mesmo assim, amo você!
Mesmo sabendo que eu estou fazendo tudo errado,
e que sem você ao meu lado nada será tão feliz e colorido." 







domingo, 10 de junho de 2012

Plano B





Ao chegar em casa, Colombina olha um bilhete sobre a mesa da sala. Ao abri-lo, percebeu que era de Pierrot. E dizia assim:

Colombina estou cansado de ficar no banco esperando sua boa vontade, de viver como reserva que nunca sabe quando entrará em campo.

Quando te conheci, pensei que você era só uma boa amiga. Mas com o passar dos dias, as coisas foram ficando mais sérias, e a cada dia que convivi contigo fui me apegando e me apaixonando mais e mais. Talvez eu confundi os sentimentos que você alimentou até nosso ultimo contato. Ou talvez eu sou um tolo que se deixou apaixonar por um papo clichê.

Será que é muito egoísmo de minha parte querer ser o “Alpha” em seu coração e em sua vida?
Não mas serei o plano B de seus dias insertos. Quero viver dias de sol junto a ti, quero andar de mãos dadas pelo parque, quero dividir um pequeno guarda-chuva em meio às gostas teimosas que querem nos molhar no inverno.

Tudo na vida tem um limite, e eu cheguei ao meu. Pois te ver com outro cara é torturante. E se não é de fato feliz ao lado dele como você sempre alegou, por que ainda esta com ele? Se me ama tanto quanto diz, por que não dar um basta nesse drama de novela mexicana?

Não sou um livro empoeirado na prateleira. Logo, não lhe esperarei para sempre! Você sabe como e onde me encontrar, e no dia que quiser algo sério me procure. Só não ache que vou lhe esperar para sempre.

Atenciosamente: Pierrot




quinta-feira, 17 de março de 2011

Todo carnaval tem seu fim



Ainda lembro como se fosse ontem daquele carnaval de 76. Eu como sempre sozinho em meio a aquela multidão de gente no baile, e você era a mais linda jovem de todas! Todas as garotas sentiam inveja de sua simplicidade, de sua pureza, beleza e doçura.

Você como a garota mais popular da escola, sempre tinha tudo e todos em suas mãos, e eu, seu melhor amigo e eterno apaixonado, aquele único que realmente se importava com o que você sentia, mas como eu disse, eu era só um amigo!

Ainda sinto o cheiro bom de seus cabelos e a fragrância de rosas que vinha de seu pescoço. Lembro-me da maciez de suas mãos que uniam-se as minhas e me puxava para o meio do baile com um lindo sorriso no rosto, deixando assim subentendido um vem dançar comigo. Naquele dia tínhamos conversado sobre o meu medo de dançar, mas você como sempre me fez entender que eu era capaz e que ao seu lado eu não precisava temer nada.

Em meio aos vários sorrisos, pensei só comigo o quanto eu tinha sorte por ter-la como amiga, e que mesmo desejando-lhe um pouco além, nada iria mudar entre nós se eu arriscasse um beijo. Foi ai então que eu a beijei, e para minha surpresa você retribuiu.

Parecia que alguém falava em minha cabeça “Você não está vivo se não estiver vivendo”, e eu me senti vivo naquele instante, eu poderia até me declarar sem parecer cafona, eu era capaz de tudo! Mas só consegui falar que se realmente todo carnaval tem seu fim, então que seja eterno em quanto dure!

Essa definitivamente não era uma história entre Pierrot e Colombina, era real! Só estamos vivos se deixarmos um pouco de lado a razão e agirmos com o coração, independente de quebrar a cara ou não, eu tinha que saber se realmente valia apena arriscar tudo, e valeu. Cada beijo, cada toque, cada suspiro, cada afago delirante de uma ardente paixão.

Depois do baile, lhe deixei perto de sua casa e pensei... “Faria tudo de novo sem medo de nada, pois não há barreiras para o amor. Seja amigo, ficante, namorado ou qualquer outra coisa, o importante é ser feliz e fazer os outros felizes, eu tenho a certeza que naqueles poucos momentos em que fomos um só, a felicidade fluía de nós!”

 (Foto do blog: A memoria esquecida)

[Queria desculpar-me pela demora a postar, é que ando meio "de mal" com meus textos, mas fizeram um pedido especial e aqui estou eu postando! Talita e Bia desculpa mesmo por ter sumido!]


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Adapte-me ao seu “ne me quitte pas”


 

 

Por muito tempo vivi em uma solidão que parecia não ter fim, e até admito que já estava quase me acostumando a ser mais um “andarilho francês decepcionado por seus casos de desamor”, foi quando eu te vi naquele estacionamento perto da grade. Sabe, meu mundo parou ali e de cara me apaixonei.
Quando você sem me conhecer cuidou de mim, eu me senti seguro. Quando você me deixou ser teu amigo, senti o prazer de ser feliz novamente. Quando me deu aquele beijo, meu corpo se fez um carnaval de prazeres. Quando te entreguei aquele pedaço de aço contorcido e polido, me senti completo pela primeira vez.

Hoje tenho que conviver sem teus afagos, com sua impaciência, com seu olhar cansado e distante. Sei que algo está errado, pois tudo mudou da “água pro vinho”, por mais que eu tente me aproximar, algo nos afasta. Diante disso eu chego a me questionar. O que eu fiz de errado? Será que não fui um bom companheiro? Será que não fui um bom amigo? Será que deixei a desejar em algo?

Você foi/é meu melhor amor, você foi/é minha melhor amiga, você foi/é meu porto seguro. Tudo nesse mundo pode conspirar para que estejamos separados, mas lutarei contra isso, pois não vou deixar que você passe por entre meus dedos como areia de praia. Você não é e nunca será apenas uma onda que quebra em minha praia, e tudo o que peço é que Adapte-me ao seu “ne me quitte pas”.



(Trilha sonora do post:  Ne me quitte pás – Jacques Brel)



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Carta para Larissa


Em uma carta nunca entregue para seu novo amor, Pierrot disse assim:

 "Mais uma vez, tiro minha mascara a ti, tornando-me vulnerável, mostrando minhas fraquezas, mostrando meu eu, mostrando que você sabe quem sou de fato.

Devo admitir que quando estou com você, sinto-me livre, como se andasse em um bosque lentamente durante uma chuva, sentindo cada gota tocar meu corpo individualmente e lentamente, sentindo a brisa que passa com o cheiro bom de terra molhada.

Devo admitir que com você ao meu lado, sou capaz de tudo! Não existem casos impossíveis para o amor, não existem limites para o amor.  E tudo que sempre pedi em troca é um sorriso verdadeiro, uma amostra de felicidade pura. Você é a paz busquei em meu mundo “platônicoliterário” que agora é de fato real, e devo admitir também que ainda não sei lhe dar com isso, pois nunca pude ser eu mesmo e ser feliz ao mesmo tempo.

Quando a beijei a primeira vez, soube que eram aqueles lábios que queria sentir o resto da vida, soube que era aquele abraço quente que eu queria que me esquentasse em noites de frio, soube que eram em seus ombros que poderia chorar quando fosse preciso, soube que era com você que poderia tornar meus sonhos reais, soube que valeria a pena adimirar aquela pequena borboleta que nos cortou o ar .

E pra concluir estes pensamentos escritos em um pedaço de papel, deixo aquela simples melodia que conta individualmente cada instante que vivemos juntos e que expressa o quanto confio em você."









sábado, 18 de dezembro de 2010

Só enquanto eu esperar!



Um mês... 30 dias... 720 horas... 43.200 minutos... 2 milhões 592 mil segundos...
Durante dois longos anos Pierrot esperou chegar o dia em que finalmente completaria um mês de algo muito especial, onde ele poderia viver e acreditar em sonhos, onde ele poderia ser o que realmente era, onde ele se sentia seguro e que poderia se restabelecer sentimentalmente, onde ele poderia ser feliz de fato como sempre imaginou.

Talvez em alguns aspectos ele se deixou levar por momento, retirando sua mascara e mostrando seu rosto, mostrando a sua identidade que ninguém jamais haveria visto em qualquer circunstancia, e assim acabou se tornando vulnerável demais.
Mas mesmo com seus eternos medos ele se manteve firme entre o sentido e a razão, lutando pelo que realmente acreditava ser o certo a se fazer! Ele de fato é um eterno amante, e por anos vem buscando o seu ponto de equilíbrio.

Certa vez ele ouviu um sábio senhor que lhe disse assim: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só... mas sonho que se sonha junto, é realidade!”, daí então ele buscou sua felicidade além dos campos onde vivia na França, onde encontrou sua suposta felicidade. Com ela, ele sorriu à borboleta que lhe cortava o ar, com ela, ele sonhou a cada luar que lhe iluminava o céu, com ela, ele chorou a cada dificuldade imposta pelos seus diferentes mundos, com ela, ele amou de verdade.

Em uma manhã de devaneios ele pensou com seus botões: “Se enquanto eu esperar pelo amor dela, talvez um dia possa viver o amor que sinto”, “Se mesmo com realidades e vidas diferentes, temos sonhos parecidos”, “Então o que falta pra essa linda história de amor dar certo?”.
Ele preso a seus pensamentos, passou dias e noites remoendo esses pensamentos em sua cabeça, com medo de nada ser real, e sim apenas mais uma semente que brota, mas não vinga!

Para Pierrot, foi difícil superar o desamor de Colombina, e ele não queria mais reviver dias de prantos quase sem fim.  “Um amor só é amor, se for recíproco” pensou ele em meio a tanta confusão, foi então quando ele abriu seus olhos para a verdade, e viu que seu novo amor era real, e ela só queria lhe preservar de sofrimentos e lamúrias sem fim.
Os medos eram quase mútuos, talvez mais da parte dela, pelo fato da pressão de fazer a diferença, de não agir igual à Colombina.


"Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criação da minha alma de artista"
(Menotti)


(Foto por: Margot)



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Máscaras (Menotti Del Picchia)



O AMOR DE COLOMBINA – III
Uma voz que canta se aproxima. 

A VOZ: Esse olhar deu-me o desejo daquele beijo encontrar, mas nunca , reunidas, vejo a volúpia desse beijo e a tristeza desse olhar!




Pierrot, extasiado: Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?
Arlequim: Era dela esta voz?
Pierrot: Esta voz era dela...
Arlequim está imerso na sombra e um raio de luar ilumina Pierrot. Entra Colombina trazendo uma braçada de flores.
Colombina vendo Pierrot: Tu? Que fazes aqui?
Pierrot: Espero-te, divina... A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!
Colombina: Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...
Pierrot: E eu esperei-te tanto!
Colombina: Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor:  “Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...”
Pierrot: Um Pierrot muito triste...
Colombina: E respondia  a flor: “Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...” E eu seguia e indagava: “Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho? “ E o regato correndo e cantando, dizia: “Coro e canto e não vejo” -  e cantava e corria...  Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente... Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e  no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.
Pierrot: Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama toda a angústia interior do meu peito que te ama Nosso corpo é tal qual uma torre fechada  onde sonha, em seu bojo, uma alma encarcerada. Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,  O olhar é uma janela aberta para a vida, e, na noite de cisma, enevoada e calma,  na janela do olhar se debruça nossa alma
Colombina, languidamente abraçada a Pierrot: Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...  Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço com cadências de vaga e, à luz do teu olhar, tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!  Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!  São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...  São dois lagos azuis à luz clara do luar... São dois raios de sol prestes a agonizar...  Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade  de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor...meu amor...meu amor...
Pierrot: Meu amor!
Colombina e Pierrot abraçam-se ternamente. Há, como um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim, vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.
Arlequim:  Colombina!
Colombina, voltando-se assustada: Quem é?
Arlequim: Sou alguém, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!
Colombina, desprendendo-se de Pierrot: Tu, querido Arlequim!
Arlequim, galanteador: Arlequim que te adora...Que te buscava há tanto e que te encontra agora. Colombina, E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.
Arlequim a Pierrot: Ela está mais mulher...
Pierrot num êxtase: Ai! Ela está mais linda!
Arlequim, enfatuado, a Colombina:  És linda, meu amor!  Nessa formas perpassa na cadência do Ritmo, a leveza da Graça. Teus braços musicais, curvos como perfídia, têm a graça sensual de uma estátua de Fídias. Não sendo inda mulher, nem sendo mais criança, encarnas, grande viva, a Flor-de-Liz de França... Sobe da anca uma curva ondulante que chega   a teu corpo plasmar como uma ânfora grega  e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo, coleante como um cisne  e esbelto como um galgo!
Colombina, fascinada: Lindo!
Arlequim: E não disse tudo... E não disse do riso boêmio como ébrio e claro como um guizo. E ainda não falei dessa voz de sereia que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia... Não falei desse olhar cheio de magnetismo,  que fulge como um astro e atrai como um abismo, e do beijo, que como uma carícia louca...  inda canta em meu lábio e inda sinto na boca! 
Colombina com um voz sombria de volúpia:  Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue tem lascivo sabor de pecado e de sangue. O venenoso amor que tua boca expele põe-me gritos na carne e arrepios na pele!  Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto O desejo explodir das potências do instinto, O brado da volúpia insopitada, a fúria,do prazer latejando em uivos de luxúria! Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece  a amada que se toca e aos poucos desfalece,  e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo, agoniza num beijo e morre num espasmo. Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte que, resumindo a vida, anseia pela morte, dessa angústia fatal, que é o supremo prazer da glória de se amar, para depois morrer!Pierrot num soluço: Ai de mim!...
Colombina, como desperta: Tu Pierrot!
Pierrot, num fio de voz:  Ai de mim que, tristonho, trazia à tua vida a oferta do meu sonho...Pouca coisa, porém... Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coração de poeta. Na velha  Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Giseh, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns grânulos de incenso... Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.
Colombina com ternura: Como te amo, Pierrot...
Arlequim: E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
Colombina  fascinada: Como te amo, Arlequim!...
Pierrot desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos, numa voz estrangulada: A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!
Arlequim: Dize: Queres-me bem?
Pierrot: Fala: gostas de mim?
Colombina, hesitante A Pierrot:  Eu amo-te , Pierrot...  A Arlequim: ... Desejo-te, Arlequim...
Arlequim, soturnamente:  A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!..
Colombina, sorrindo e tomando ambos pela mão: Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço:  A Arlequim: O teu beijo é tão quente...   A Pierrot:  O teu sonho é tão manso...  Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma!  Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!  Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!  Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...  Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente, porque a história do amor pode escrever-se assim:
Pierrot: Um sonho de Pierrot....
Arlequim: E um beijo de Arlequim! (Menotti Del Picchia)

(Queria dividir com vocês o que estou lendo atualmente, Poemas de Menotti Del Picchia,me identifico muito com o capitulo máscaras, cujo postei esse trecho)

(Bárbara Gouveia ativamente em minha cabeça,sabe lá o porque. \o/ amo você amiga!)
(Trilha sonora do dia: Sentimental - Los Hermanos)
(Trecho tirado do Blog Lica)